Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, FEIRA DE SANTANA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Arte e cultura



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 arvore da poesia
 mil e um poemas


 
 
árvore da poesia


Poema das descobertas

I

Pássaros voavam debaixo daquele vestido

E eu investido de arapucas tentava em vão

II

As moças com flor de tamarindo

Tem sabor que intumesce lábios

III

Na volta que a curva faz na esquina

Tem a praça, a amendoeira, o banco

E a fugacidade de algumas palavras

IV

Doce saboroso é baba de moça

Roubado no degrau da igrejinha

V

A felicidade só bate à porta do destino

Para avisar que já está indo-se embora

VI

Três ou quatro coisas ficaram na lembrança

O que muito se perdeu, não dói por ausência

Mas castiga e atormenta como uma renúncia

VII

As pescarias de domingo eram o vício mais alegre

Cheias de viço, visgo e vigor de uma súbita revoada

 VIII

dona menina fingia-se em algumas intimidades

que gostava de insinuar até me ver extenuado

IX

Coisa mais divertida o espiar pelas gretas

era sempre o refazer do susto revelando-se

X

Quando ela foi embora, não apaguei a luz

Fiquei insone com esse fardo de palavras

Que não consigo dar conta pronunciá-las.



Escrito por Assis Freitas Filho às 21h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Canto peregrino ( a epifania)

 

às vezes o ar rareia
entre o silêncio do mar
e a sinfonia na areia

 

Canto peregrino (a elegia)

 

Não importa este silêncio

que me traz a madrugada

 

Fito o horizonte sem remorsos

Guardo-me em esperas

Debruço-me no vazio da aurora

 

E não faço renascer das cinzas

A minha mágica é esta paz

Que guardas dissoluta sob a face

 

Canto peregrino (a odisséia)

 

Alguém entrou e fez de mim prisioneiro deste laço.

Daqui soletro o alfabeto e não encontro respostas.

A minha caligrafia se constrói em meio ao tempo

e em um teorema.

Pergunto-me sempre, perquiro a palavra nova.

Mas a saudade repete o tema.

Imóvel despedaço a tua imagem

e recordo o espaço em que as coisas aconteciam.

 

Canto peregrino (o chamado)

 

Quando tu quiseres

Ainda há o espaço

Clamando presença

 

Quem sabe encontre

Indícios de tontos nós

Lassos em um lençol

 

A dormência da tarde

No vaivém da rede

Este pote e esta sede

 

Canto Peregrino (o réquiem)

 

Ando com meus passos eternamente vazios

Sem sombras, manchas ou qualquer passado

Tenho os olhos voltados a aquela luz adiante

Queimarei os pés até o instante de alcançá-la

Pode ser a estrela imprecisa mas não importa

Ali deixarei as cinzas do que não existe mais



Escrito por Assis Freitas Filho às 21h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]