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Poema das descobertas

I

Pássaros voavam debaixo daquele vestido

E eu investido de arapucas tentava em vão

II

As moças com flor de tamarindo

Tem sabor que intumesce lábios

III

Na volta que a curva faz na esquina

Tem a praça, a amendoeira, o banco

E a fugacidade de algumas palavras

IV

Doce saboroso é baba de moça

Roubado no degrau da igrejinha

V

A felicidade só bate à porta do destino

Para avisar que já está indo-se embora

VI

Três ou quatro coisas ficaram na lembrança

O que muito se perdeu, não dói por ausência

Mas castiga e atormenta como uma renúncia

VII

As pescarias de domingo eram o vício mais alegre

Cheias de viço, visgo e vigor de uma súbita revoada

 VIII

dona menina fingia-se em algumas intimidades

que gostava de insinuar até me ver extenuado

IX

Coisa mais divertida o espiar pelas gretas

era sempre o refazer do susto revelando-se

X

Quando ela foi embora, não apaguei a luz

Fiquei insone com esse fardo de palavras

Que não consigo dar conta pronunciá-las.



Escrito por Assis Freitas Filho às 21h48
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